Algumas coisas a gente faz a contragosto, só para ter argumentos. Não podia falar mal de Cinquenta Tons de Cinza sem ter lido. Bom, algumas pessoas fazem isso, mas, se eu quisesse mesmo ter provas, teria que ler. Se você gostou, tudo bem, você está no seu direito.
Peguei emprestado, já que me recusei a pagar um centavo por ele. No momento em que comecei a ler, soube que Stephenie Meyer não escrevia bem e tinha péssimas ideias (vamos lá, né, vampiro brilhar já é demais).
Na minha concepção, Cinquenta Tons de Cinza é muito chato. Vamos analisar. Uma garota distraída, introvertida, desastrada, por acaso, conhece um cara que é um deus grego e deixa todas as outras mulheres babando. Ele é lindo, charmoso, rico, poderoso… e, sem saber o porquê, ele se encontra perdidamente apaixonado pela menina que tem a auto-estima lá embaixo. Ele esconde um segredo, mas conta para ela porque quer que ela participe de sua vida, mas avisa que deveria se afastar, para o bem dela. A garota fica naquela dúvida eteeeeeeerna e chata se deve ficar com ele ou não e blablablá.
O enredo soa familiar? O livro é simplesmente um Crepúsculo com cenas tórridas de sexo sadomasoquista (sádico pela parte dele e masoquista por parte dela). Acaba que tanto Edward Cullen quanto Christian Grey gostam de ser dominadores, mas viram cachorrinhos perto de suas musas.
Creio que, talvez, uma vantagem que podemos ver desse livro é o fato de que muitas mulheres começaram a observar seus desejos na cama. Nesse ponto, o livro não me influenciou muito. Eu sempre soube do que gostava e não sou nem um pouco introvertida na cama mas, tá valendo e, se quero experimentar coisas novas, não é pela influência da estória, é pelo meu jeito curioso mesmo. Mas será que para falar de sexo, precisamos ler uma obra tão mal escrita quanto essa?
O campo erótico sempre foi mais explorado pelos homens, mas isso não exclui a vontade feminina de consumir pornôs, eu sou uma dessas. O gosto entre homens e mulheres pode até ser diferente, elas primarem por histórias românticas e eles irem diretamente ao assunto. Bem, isso realmente não é o meu caso, eu adoro os dois. Talvez por isso Christian Grey é tão ovacionado pelas leitoras: ele tem atitude e é extremamente direto, mas ainda consegue-se inseri-lo em um contexto romântico.
Mas ninguém precisa se prender a uma história infantilmente narrada para conhecer mais suas vontades sexuais. O cinema erótico/sensual de boa qualidade está aí para mostrar isso. Personagens complexos, apaixonantes, que nos envolvem. Para as mulheres que se interessarem, indico De Olhos Bem Fechados (do fantástico Kubrick), Beleza Americana, Closer, O Último Tango em Paris(com o deuso Marlon Brando), sem falar no conhecido 91/2 semanas de Amor, do Adrian Lyne, que foi o primeiro no gênero que assisti e quase surtei ao ver a cena "briga em cima da mesa" isso em meados de 1986/1987 e os filmes de Tinto Brass, um diretor italiano conhecidíssimo no meio erótico (existem TANTOS outros filmes com essa temática que vale a pena pesquisar mais!).
Ainda na linha literária, se tem a autora de olhos bem fechados é Anaïs Nin. O mais legal é que, muitas de suas histórias escritas fazem parte da própria experiência de Nin. A autora foi amante de Henry Miller, conhecido principalmente pelo livro Trópico de Câncer, clássico erótico da década de 1930.
Então, se você quer Cinquenta Tons de Cinza, leia. Mas, por favor, não ache a melhor coisa do mundo. Conheça outras coisas, leia (e assista/veja) mais sobre o assunto e delicie-se. Afinal, é bom demais poder ter a liberdade de se excitar e imaginar, sem pudores nem medo de convenções sociais. Porque quem realmente vai descobrir o que é bom para você é só você mesma, e não um personagem fictício de um best-seller. Tenho minha teoria de que, essas mesmas mulheres que leram os 50 tons, se lessem meu antigo blog erótico, iriam dizer absurdos, porque aí sim, falo escancaradamente de sadomasoquismo, desejos e intenções sexuais. De deixar até Stephenie Meyer de cabelinhos em pé, literalmente! ;)



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