segunda-feira, fevereiro 25, 2013

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Achei que fosse mais fácil e que eu tiraria de letra a dor.
Que conseguiria levar como levei tantas coisas na vida, me enganei.
Mas isso só diz respeito a mim.

Existem coisas que carregamos para sempre em nossas vidas, algumas boas, outras nem tanto que se tornam aprendizados. Mas algumas simplesmente nao conseguimos administrar, simples assim.
Quando criança eu me lembro bem e sei até detalhar algumas delas, minha mãe me "batia" com pano de prato molhado, sim, ela por acaso enxugando louça, havendo uma malcriaçao, me lembro dele marcando minha perna. Mas só de raspão a dor surgia, porque em seguida, eu já não me lembrava dela, muito embora quisesse escapar todas as vezes que isso acontecia. Tinha também uma vara de bambu em casa, acho que minha perna sentiu sua ardência apenas uma vez, pelo que me lembro. A dor que ela causava também era momentânea, mais a dignidade sentia bem mais do que minhas pernas.

Algumas pessoas se lembram das palmadas, surras e castigos. Eu não. Eles não marcaram tanto a minha vida. Talvez por eu não ser uma criança atentada, talvez por querer agradar e não desobedecer, quem sabe?
Mas existem outras marcas de dor deixadas em mim que, cada vez que me lembro, fico me perguntando por quê? e a sensação que me toma é tristeza, acredito ser o mesmo sentimento que me assombrava quando isso acontecia.

Posso contar as vezes que minha mãe me ignorou, Não falava comigo, me ignorava por horas, algumas vezes, de um dia para o outro e aquilo acabava comigo, eu chorava e tentava reaver o erro. Acho que desde pequena me preocupava em magoar, em agradar e nunca soube lidar com isso. Quando me vêm a memória isso, é  como se revivesse novamente esse sentimento. Uma aflição, um desespero, um golpe de ar que vem igual um soco.

Hoje anos depois fico me perguntando do que adiantou o ignorar. Não encontro respostas, também não sei se resolveu no momento para ela como castigo. Eu realmente não me lembro.

Dia desses a pequena fez malcriação e eu apliquei isso. Ela sentiu. Eu senti. Durou apenas meia hora ou nem isso. Ainda não consegui achar a resposta se adiantou. Depois que conversei com ela, expliquei minha mágoa e o porque de eu não querer falar com ela, houve um alívio em mim. Acho realmente  que isso não adiantou ou se adiantou, é um preço alto demais para que ela pague. Sinceramente, não quero ser lembrada como eu me lembro desses momentos, não há um porque convincente.

Eu ainda não sei lidar com ser ignorada, Acho que nunca vou aprender e, isso machuca muito, mais que palavras, muito mais qualquer outra forma de castigo. O silêncio, o ignorar não é a melhor saída, pelo menos para mim.

E esse sentimento me faz mal, extremamente mal. Vocẽ pode até dizer que eu não cresci, mas existem marcas que a gente não suporta. Eu suporto palavras duras, porque podem ser esquecidas, suporto a falta de amor, porque ninguém é obrigada a amar ninguém, suporto outras dores mas, o silêncio do ignorar não consigo suportar.

O silêncio te dá o direito de tirar conclusões, errôneas ou não. Te dá o direito de achar que não é com você, que você está só. Têm dias que o ignorar dói além das forças, além do entendimento ou do bem-querer. Eu queria saber lidar com isso, mas até hoje não sei como fazer ou administrar mesmo lutando e fingindo não ligar. Eu queria que fosse fácil para mim como vejo que é para outras pessoas, eles esquecem com a mesma rapidez que o vento bate em meu rosto, eles ignoram com a mesma facilidade que tomar um sorvete, enquanto eu fico ali, querendo gritar e ser ouvida.

E pensando nisso, não é esse o sentimento que quero que a pequena leve de mim. Porque dói demais e é uma dor que vocẽ leva até a eternidade se não esclarecida.

Quem conhece esse meu ponto fraco, sabe exatamente o que é isso para mim, quem não conhece, não imagina o mal que isso me causa.

E então eu me pergunto: se nem minha mãe se importava, quem se importa?

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Vai Harrison, porque hoje seria seu aniversário.









2 comentários:

LuM disse...

Eu acho que o pior, o que mais machucou - e machuca, é que sua mãe é quem fez isso. Posso te dizer, porque tenho sentimentos parecidos mas não porque fui ignorada, mas porque ouvi - e ouço até hoje palavras terríveis vindas da minha mãe, e aí o que mais me fere são estes tipos de palavras ou opiniões a meu respeito. Por isto eu te digo, o pior é que veio da minha mãe. E da sua.

K disse...

ah sim, é dificil a gente aceitar, mas ela tinha o jeito dela, meio atrapalhado de ser, que me ensinou muita coisa, mas tambem que me deixou algumas que, eu não sei lidar ainda. Mas sei lá, de repente foi bom, pq no fundo, a vida é isso mesmo né? a gente tem que ser forte (ou não). Na marra!