domingo, abril 25, 2021

Quando a vida pede uma posição

 


Eu gosto de rotina.

E às vezes dou Xeque-Mate.

Com três meses no emprego, clima pesado, colegas me deixando insegura  me dizendo que alguém ia "rodar". E vocês sabem, começo é insegurança. Esse clima durou uns 20 dias.

No dia do pagamento, empresa pequena, ao receber, sou direta:

- vocês estão gostando do meu trabalho?

- Sim - me olham com um ponto de interrogação na testa - porquê?

- porque o clima está estranho, vocês não falam se estou de acordo com o que esperam, preciso saber. Vocês pretendem me demitir? 

Nessa hora, pego minha carteira e coloco em cima da mesa.

- Se forem, fiquem à vontade.

Sete anos se passaram.  Estou lá até hoje.

Começava um relacionamento, ainda não tínhamos nos encontrado, íamos passar o Réveillon juntos. Na conversa no MSN, o telefone atrás da tela toca e percebo que existe uma relação não finalizada. 

Taxativa: - É o seguinte, você realmente está a fim de ficar comigo?

- Claro!

-Então, resolva essa situação. Para ficar com você, preciso da sua certeza, quer, quer, não quer, não me enrola.

Casei com ele.

Eu gosto da certeza, nunca fui muito de adivinhações. Preto no branco, certo e errado, a dúvida não me deixa confortável, não impulsiona, sabe assim? Pelo contrário, jogo a toalha.

Abrir a guarda, retroceder.

É como jogar xadrez, tem que jogar as peças certas para não ser engolido. 

Não gosto de xadrex.

É pensar demais, eu sou intuição.

A vida é simples. Nós a complicamos.

A vida não é um jogo. Blefar não é a solução. Esconder o jogo muito menos. Se não tá afim, tchau. Se quer, agarra. Fazer "média" não é comigo, em qualquer área da vida.

Voltando ao serviço, depois de 1 mês em casa, sou taxativa novamente: - Dra, ainda estou dentro ou vai ter uma demissão? Ela me olha, sorri e pergunta de onde tirei essa ideia. Sim, ainda estou dentro.

Sou assim e acho realmente que esnobar é exigir café fervendo e deixá-lo esfriar.

E eu odeio café frio.




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