Eu ia escrever um texto.
Escrevi outro nada a ver.
Tantas linhas e palavras e nada.
Em meio à tudo isso, café!
O coração aperta, as letras não saem.
Eu poderia falar do caso Robinho, de política, da guerra Armênia (minha Armênia) x Azerbaijão, do desemprego de milhares, da sujeira que está por aí, de assuntos sérios, do cansaço, de como eu me enrolo toda quando fico nervosa, ou da vontade de sumir quando sou mal interpretada, como eu amo meus amigos, poderia até falar na língua do pê, você já falou?
Nas muitas vezes que minha filha parece ser bem mais madura que eu, ou naquelas que até acredito ter a idade que tenho, até o próximo tropeção, claro.
Eu gosto da simplicidade das coisas.
Porque pouco importa quantas estrelas têm aquele restaurante, quero saber se o gosto é bom. Eu não preciso da barriga durinha, porque eu gosto dessa celulite que teima em marcar minha calça depois da gravidez e que preciso voltar aos treinos. Porque o bom mesmo é um bom papo e o sorriso largo. E o que importa se o dia está quente, se o céu ferve lá fora, rodeado em nuvens cinzas? Nada é mais sorridente do que os obstáculos da vida, da boa epopéia que a vida nos prega. Porque quero mesmo é o vinho tinto na taça e a lareira dos acontecimentos.
Eu poderia escrever sobre a comunicação e sobre as coisas que não saem como prevemos, ou de quando as falas simplesmente tomam corpo, colocam um vestido vermelho e sambam na nossa cara enquanto você grita que não é nada disso. Elas continuam sambando...
Eu ia.
Mas desisti.

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